“Quanto eu preciso colocar para começar?” é a primeira pergunta de praticamente todo empresário que nunca anunciou. E a resposta honesta é que ela está pela metade — porque a verba não sai de uma tabela, sai de uma conta que parte do seu negócio.
O problema de chutar é que os dois erros custam caro. Verba baixa demais não erra o valor: erra o experimento. Você gasta, não aprende nada e conclui que “anúncio não funciona para o meu ramo”. Verba alta demais queima dinheiro antes de você saber o que funciona.
Vamos montar a conta.
Comece pelo fim: quantos clientes você quer
A conta corre ao contrário do que parece intuitivo. Você não decide o quanto vai gastar. Você decide quantos clientes quer e descobre quanto isso custa.
Precisa de quatro números, e três você já tem:
- Ticket médio — quanto entra, em média, por cliente fechado.
- Margem — quanto sobra desse ticket depois do custo de entregar.
- Taxa de fechamento — de cada 10 pessoas que pedem orçamento, quantas fecham.
- Custo por contato — quanto custa fazer uma pessoa levantar a mão. Esse é o único que você ainda não sabe, e é justamente o que o primeiro mês existe para descobrir.
A conta, com número na mesa
Um exemplo hipotético de negócio local de serviços. Ticket médio de R$ 800, margem de 50% (sobram R$ 400 por cliente), taxa de fechamento de 3 em cada 10 orçamentos.
Meta: 5 clientes novos no mês.
- 5 clientes ÷ 30% de fechamento = 17 orçamentos necessários.
- Suponha, só para a conta andar, que cada contato custe R$ 25 — esse é o número que o seu primeiro mês vai medir, não um valor de tabela. Seriam 17 × 25 = R$ 425.
- Isso geraria 5 × R$ 400 = R$ 2.000 de margem. Sobra.
Se o custo por contato vier em R$ 60 em vez de R$ 25, a conta vira R$ 1.020 de verba para R$ 2.000 de margem. Continua de pé, mas com bem menos folga — e é exatamente esse tipo de descoberta que o primeiro mês precisa entregar.
O ponto de corte: se o custo por contato multiplicado pelo número de orçamentos necessários passar da margem que você ganha, o canal não fecha do jeito que está. Aí o ajuste é no funil ou na oferta, não na verba.

O piso que ninguém conta
Existe um valor abaixo do qual o teste não tem validade estatística — simplesmente não gera eventos suficientes para a plataforma aprender nem para você concluir.
Regra prática que a gente usa ao dimensionar: a verba do primeiro mês precisa comprar volume suficiente para você contar dezenas de contatos, não unidades. Abaixo disso, qualquer conclusão é leitura de ruído.
No exemplo acima, com o custo hipotético de R$ 25 por contato, isso empurra a verba bem acima dos R$ 425 que a meta de 5 clientes sugeria. É desconfortável e é honesto: o primeiro mês compra aprendizado, não só cliente. A partir do segundo, com o número real de custo por contato na mão, a verba passa a ser dimensionada pela meta.
Um mês, um objetivo
Erro clássico de quem começa: dividir uma verba pequena em três campanhas, duas plataformas e cinco públicos, para “testar tudo”. O resultado é que nenhuma junta volume suficiente para dizer alguma coisa.
No primeiro mês:
- uma plataforma — aquela onde seu cliente decide, não aquela que você usa;
- um objetivo — contato, normalmente; não alcance, não seguidor;
- um destino — WhatsApp ou uma página só, que carregue rápido no celular;
- no máximo dois criativos por público, para conseguir comparar.
Complexidade é coisa do terceiro mês.
O que derruba o resultado antes do anúncio rodar
Mais de uma vez a gente viu campanha bem montada entregar mal por motivo que não estava na campanha:
- o número de WhatsApp da campanha não é o que alguém olha;
- ninguém responde depois das 18h, e é quando a maior parte dos contatos chega;
- a página de destino demora 6 segundos para abrir no 4G;
- o anúncio promete um preço que o atendimento não confirma.
Dinheiro de mídia amplifica o que existe. Se o atendimento é o gargalo, anunciar só faz você pagar para descobrir isso mais rápido.
Como saber se valeu, no fim do mês
Três números, anotados no papel:
- Quanto foi gasto.
- Quantos contatos chegaram (só os da campanha — combine uma pergunta ou um link diferente).
- Quantos viraram cliente e quanto faturaram.
Com isso você tem custo por contato, custo por cliente e retorno. Um mês não decide tudo, mas já diz se a ordem de grandeza fecha. Se ficou perto, ajusta. Se ficou muito longe, o problema é oferta ou canal — e vale conversar antes de colocar mais verba.
Se você está avaliando fazer isso com ajuda externa, a gente escreveu sobre os critérios em como escolher uma agência de marketing local.
Perguntas frequentes
Dá para começar com R$ 300 no mês? Dá para colocar no ar, mas dificilmente dá para concluir alguma coisa. Com ticket baixo e público grande, pode ser suficiente; com serviço de ticket alto, os contatos não somam o bastante para gerar leitura confiável.
Google ou Instagram para começar? Depende de como a pessoa decide. Quando o cliente já sabe o que quer e procura (“conserto de ar condicionado”), Google costuma vir primeiro. Quando o produto é de descoberta ou de desejo, Instagram tende a funcionar melhor.
Em quanto tempo o anúncio começa a dar retorno? Contato costuma aparecer nos primeiros dias. Estabilidade de custo leva de duas a quatro semanas, porque a plataforma precisa de volume para otimizar. Mudar a campanha todo dia reinicia esse processo.
Se você tem o ticket, a margem e a taxa de fechamento anotados, essa conta se faz em quinze minutos. Se não tem, esse é o trabalho que vem antes do anúncio. A ADS Consultor monta esse dimensionamento com o dono do negócio antes de qualquer verba entrar.
